nobody home

by klausziman

Deverei comparar-te a um dia de verão?

A atmosfera flutua pesada nessa madrugada. O céu ainda chorava quando eu desvaneci em meio ao sono. Mas eu sabia – tão certo quanto o nascer do dia que estar por vir, que isso não seria permanente. Seria agora, sua derradeira hora? Ou o meu corpo simplesmente despertou consciente de que nesse mesmo momento, seis anos atrás, você não acordaria mais?
A voz de Roger Waters enche meus ouvidos, “nobody home, ele repete em meio a melodia. Assim como você já não podia mais estar de fato em sua casa. Você está olhando pra mim agora, Heath. E não está sorrindo. Eu olho para os seus olhos e consigo ver, consigo ver uma porra de tristeza tão densa, que nenhum flash foi capaz de esconder.
Eu trago em meio a toda essa fumaça, fragmentos de você. E me sinto tão pequena diante de tudo isso, apenas um ponto de luz que se perdeu em meio ao seu brilho. Você poderia me iluminar um pouco agora? As coisas ficaram meio escuras sem você.
Eu não me importaria com um efeito borboleta, eu aceitaria todo o chaos para poder parar no tempo. Para poder voltar no tempo. Para impedir que de fato, se tivesse consumado tão nitidamente seu último suspiro. Mas a casa vai continuar vazia.
Eu não sei o que escrever, eu simplesmente não sei o que dizer nessas palavras que você não pode escutar. Caminha até mim, a certeza de que Renato Russo poderia me entender agora, entender essa maldita saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi.
Mas porra Heath, agora eu nunca poderei ver. 

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